Como Identificar se Ele é Gay

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(POR FAVOR, TERMINE DE LER O TEXTO!)

Esse texto é voltado para as meninas que estão por aí, procurando sua alma gêmea, e com o excesso de pressão para que os homossexuais fiquem dentro do armário no Brasil de hoje, têm internamente receio de estar sendo enganada por um pseudo-hetero.

Fiquem atentas aos sinais:

Se seu parceiro gosta de sapatos tanto quanto você ou ainda mais que você.

Pode ser um sinal. Forte. Mas não é conclusivo, que ele pode ser só um podólatra e não há nada de errado em achar um sapato de salto alto feminino bonito. E sexy.

Se seu parceiro se preocupa mais com o próprio corpo do que você.

O culto ao corpo masculino é um indício forte de homossexualidade, que tem como ícone-mor o deus David Beckham. O mercado hoje disponibiliza outros deuses e semi deuses, como o ator que interpretou Thor (que é um deus mitológico) e Cristiano Ronaldo. Mas devemos ter o bom senso de admirar o excesso de fotos descamisadas e a utilização de cera quente em todos (todos) os pelos do corpo como um cuidado a mais com a própria estética. Não há nada de errado em querer ser atraente e a gente nunca sabe os traumas sofridos: e se seu parceiro foi uma criança obesa que sofria bullying? É um indício, mas não é conclusivo. Heteros também podem usar cremes hidrantes e condicionador sem sal. E fazer as unhas.

Se seu parceiro sabe identificar a marca da tua bolsa e a coleção da qual ela é proveniente.

Assim… Isso é um dom de poucos, há que se dizer. Normalmente é um talento desenvolvido em mulheres finas (ou seu superlativo degenerado, as peruas e seus amigos gays cabeleireiros). Coisa de classe média que se crê e vai pra Nova Iorque pra comprar Victoria’s Secret, e não pra interagir com a cultura local. Fortemente preocupante. Mas não é conclusivo. Um homem elegante e que sabe dar valor às grifes é um ótimo companheiro. Sem falar que sabe presentear e não vai ficar te atazanando quando você estourar teu cartão de crédito na Victor Hugo. Ele te entende.

Se seu parceiro tem toda a discografia da Madonna, acha a Lady Gaga uma fraude (ou um refresh) e na adolescência tinha pôster do Backstreet Boys e do Leonardo diCaprio.

A gente também não precisa ficar xiita com essa coisa, néam? Que há de mal em gostar de Madonna? E os pôsteres podiam ser da irmã, ou da prima – aquela de quinto grau que vivia no sítio… Tá, eu sei… é fortíssimo, mas ainda assim, inconclusivo.

Se ele gosta de poesia.

Gostar de poesia e citar Vinicius de Moraes de cabeça é positivo. Vinicius – o poetinha – era um amante das mulheres, desses que a sensibilidade era de um extremo que ninguém ousava duvidar. Não duvide você também. Ser sensível não quer dizer ser gay.

Se a voz dele soa fina demais, algo como em falsete.

Claro que uma voz grossa e viril como a do Sean Connery faz diferença. Mas nem todo mundo nasceu pra ser 007. Tenha tolerância. Se for insuportável a voz de pato do rapaz, um fonoaudiólogo resolve isso. Voz não determina sexualidade, que fique claro. Nível baixo de suspeita.

Se o moço sabe dar mais nós na echarpe que você.

Echarpes são elegantes, oras. Você pode inclusive tirar proveito disso e aprender alguns nós. Nível médio de suspeita, mas ainda assim, não conclusivo.

Se ele prefere drinks a cerveja. E quando fundamenta, diz que cerveja é muito amarga.

Sei que é difícil de engolir essa. O macho alfa viril e padrão bebe cerveja, idolatra cerveja e tem barriga de cerveja pra apoiar a cerveja. Mas nunca se esqueçam que 007 bebe Dry Martini. Chacoalhado, não mexido. A teoria cai vencida como um agente da KGB, já que o maior macho alfa viril de todos os tempos não bebe cerveja.

O que quero dizer, minhas amigas, é que a única forma eficiente de saber se um cara é gay é se ele sentir atração sexual por homens (George Clooney não vale), e só homens. Do mais, é ficar tranquila. Se o moço te faz bem e está bem resolvido com ele mesmo, só restam estigmas. Não há mão quebrada ou Celine Dion que façam um homem gay. Não deixe seu preconceito machista transformar estereótipos em verdades. A verdade nossa é a gente que cria.

Pequena Reflexão Sobre Cuba

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A visita da Yoani, a “blogueira cubana”, tem sido digna de notas em nossa imprensa, tendenciosas nos limites de quem veicula a matéria. Nada com que se espantar, convenhamos.

Há que se dizer que eu, enquanto blogueira mais bonita e mais famosa que a Yoani, vou aproveitar o interesse tupiniquim pelo assunto Cuba e considerar alguns pontos que me parecem interessantes serem lembrados, justamente porque eles ficam esquecidos nessas matérias pobres de nossa imprensa.

De pronto já manifesto minhas simpatias pela Revolução Cubana.

Tratamos de dois pesos e duas medidas, e não estou certa sobre quem é Davi e quem é Golias nessa história. Se é Golias o ideal cubano representado na persona de Castro (figura carismática ao extremo – arrisco dizer que é mais carismática que Lula), ou se é Golias Yoani, quando representa um discurso fácil e pronto desde a Revolução Russa de “repressão de liberdades civis”, e que parece comprar a ideia de que os EUA é aquela propaganda de margarina toda que vendem pra gente (Henfil, nas cartas publicadas em “Diário de um Cucaracha” diz algo como: “O Canadá é tudo aquilo que achamos que a América é”.)

Só achamos essas coisas por algumas razões: porque alguma notícia foi nos dada e assim ficou convencido e acordado. Contaram pra gente que somos livres e que em Cuba eles não são. Venderam a ideia pra gente de que pra ser livre precisamos consumir desesperadamente. E inventaram coisas novas e caras pra gente inventar novas necessidades pra gente ter.

Inventaram elas pra Yoani também. E ela quer que o povo cubano se convença com ela de que assim é melhor. E eles insistem em não querer.

 

Ela diz que em Cuba, há repressão. Mas ela está falando pra todo mundo que há repressão! Que repressão ineficiente é essa?!

Ahh… Mas a repressão não é com perseguições, não é com prisões políticas, não é com mortes abafadas, a repressão não é sequer psicológica, a repressão não é repressora, a repressão não põem medo nas pessoas, a repressão não…

 

Hmmm… então a “repressão” é não poder comer McDonald’s e estar integrado economicamente de modo a consumir coisas – dessas que a gente não precisa, mas que sim, é divertido ter (eu tenho um monte).

Sei lá… a mim me parece mais justo todo mundo comer um x-salada simples, mas comer, do que uns poucos comer BigMac e outros montes se amontoar por uma batata-frita que caiu da mesa. Metaforicamente, claro.

Mas a moça insiste em querer trocar de carro todo ano…

 

Ver Clube da Luta e se empolgar é fácil. Quero ver formar um exército combativo contra o consumo.

Che e Fidel fizeram isso. Antes de Pitt e Norton. (E sério: não deixavam a desejar em nadinha na aparência. Minha opinião, claro.)

 

Se o povo cubano quisesse depor os Castro – não apoio ditaduras, nem que sejam de esquerda (mas confesso minha simpatia extrema ao caso cubano) – eles estariam falando e se manifestando como ela, que pode fazer isso e que pode chamar a atenção e que pode passear por aí (sério, salvo em Cuba, no resto do mundo o que move e te faz viajar é o dinheiro… como ela paga isso?).

Se o povo quisesse outra revolução em Cuba, se o poder ali estivesse sendo opressor, o povo estaria fazendo coro com a moça. Mas não. O povo continua amando Fidel!

 

E nós aqui, resmungando “que gente louca… como podem viver assim sem liberdade e sem internet rápida?”, e nós usando nossa “liberdade” e nossa internet pra ficar vendo fotos de gatinho com frases engraçadinhas sentados em frente a uma tela que nos escraviza e nos engorda. Com a nossa “liberdade” passamos 12 horas sentados trabalhando pra pagar dois dos 17 remédios que precisamos porque nossa saúde está debilitada com o tanto de porcaria que nos empurraram com propagandas. Com a nossa “liberdade” ficamos sonhando que conseguiríamos comprar um iate, mas nos contentamos em andar de pedalinho em Gramado, mas um dia… ahhh, um dia aquele iate virá… até que estamos com 60 anos internados morrendo amontoados numa maca do SUS, sendo mal cuidados pelo Estado. Mas já estamos acostumados, porque a vida nos maltratou. Mas afinal eu era livre – mesmo se o Estado não me deu condições de estudar e nem de comer. Eu era livre e só não tive meu iate porque fui incompetente.

E nós que somos “livres” é que somos afinal, felizes.

Não eles, aquele povo doido que se recusou em fazer igual e acatar o que queriam impor: não chuparam e nem engoliram. Morderam.

E pagam caro até hoje por ter mordido: severíssimos embargos econômicos, inclusive de remédios. E ainda assim: a melhor saúde do mundo.

Que sorte essa liberdade que venderam pra gente como a certa, hein?!

 

Não estamos lá pra saber e escolher pra essa gente o que é melhor pra eles, mas ela pelo visto já escolheu. E como esse povo de quem ela se diz representante não a ajuda, ela prefere que esse mesmo povo sofra a intervenção estupradora de países economicamente interesseiros/interessados.

 

Cuba escolheu ser e fazer diferente.

E deixa quem não quer ser diferente com ela, sair. E voltar. E sair e ir passar vergonha. E voltar.

 

Parece-me que a moça prefere ver Cuba dizimada, como um Paraguai caribenho, a ter que aceitar que é possível, muito possível, de que os cubanos estejam bem. Talvez até melhor do que a gente, que troca de carro todo ano, mas não aguenta pagar o financiamento e perde o carro – e os bens e as pregas – pro banco. O banco tem a nossa alma, o nosso corpo e propriedade sobre o útero das mulheres.

Mas nós somos livres.

Claro.

Seinfeld: Definitivamente a Melhor Série de Todos os Tempos. Parte III: Referências Externas

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No texto de hoje, fiquei de demonstrar a presença seinfeldiana em demais tv-shows e filmes.
O que quero dizer com essa presença é que não se trata de uma simples e modística cultura nerd estelar, com referências a sabres de luz e afins. Além de formatos técnicos como roteiro, reuniões em café (Central Perk? Pff… Legal mesmo é o Monk’s)…
Você pode até dizer que não conhece Seinfeld. Você pode até afirmar que não conhece Seinfeld. Então certamente você perdeu a piada. E essa sensação absolutamente equivocada que tenho de me sentir um pouquinho fabulosa. Como o fab-four.

Em filme: sabem o diálogo entre Justin Timberlake e Mila Kunis sobre sexo x amizade e a possibilidade de estragar tudo (Friends With Benefits)? Já teve em Seinfeld.
Sabe o Chandler (Friends)? É um George mais bonito e com algum caráter.
A Phoebe? A versão feminina de Kramer. E com um trabalho. (Nota interessante sobre Ursula, a irmã gêmea de Phoebe: ela originariamente é personagem recorrente de Mad About You, série anterior a Friends, e é reutilizada em Friends. À época, ambas as séries eram da NBC.)
As insistentes citações de Phoebe sobre “filange”, que ela usa até o derradeiro episódio de Friends, para evitar que Rachel embarque para Paris? Em Seinfeld temos “Art Vandelay”. Do segundo ao último episódio.
Bordões? Temos também, mas o suficiente pra se tornarem menções honrosas: “yada-yada”; “master of my domain”; “they’re real, and they´re spetacular”; “Serenety Now
A Monica? Antes de ser a Monica, foi “esposa” do Jerry por um episódio.
A Grace? De Will & Grace? Esteve em dois episódios importantíssimos de Seinfeld. A mãe do Stifler? Tá lá também. Seinfeld é um celeiro de atores que vemos ainda hoje nas séries.

O George? Bem… ele participou de Friends… Isso pra dizer a vocês que nós, fãs de Seinfeld, podemos gostar de Friends. Mas que Friends só foi Friends por causa de Seinfeld. Pode até fazer rir e fazer dinheiro. Mas não é genial. É engraçado. Mas não é brilhante. Friends não se libertou completamente dos clichês óbvios (Rachel e Ross… Monica e Chandler… se Pheebs ficasse com Joey seria a consagração do piegas).
(Jason Alexander [George] também participou de Malcom in The Middle. E de Uma Linda Mulher…)

Quanto a referências mais diretas, temos em várias situações de Family Guy, nas primeiras temporadas, como mostro nas imagens abaixo que dei print-screen enquanto via.
seinfeld plane family guy

seinfeld in family guy

nbc family guy

Indiretamente, no episódio em que a Louis resolve pegar o namorado da Meg, quando esta os flagra, toca o baixo de Seinfeld escancaradamente.
Num dos episódios, ainda em Family Guy, quando Peter resolve fundar seu próprio país e convida alguns ditadores pra piscina, esses ditadores (Sadam e Fidel, pelo que identifiquei) estão falando sobre o Soup Nazi, figura icônica de um episódio de Seinfeld.

Em American Dad? Quando Roger (o ET) está tentando ser assediado sexualmente numa empresa (side-story do episódio em que o Stan está tentando achar o ouro do republicano Oliver North enterrado em sua casa), pra puxar papo no bebedouro com um de seus colegas de serviço diz “Você viu aquele episódio de Seinfeld… há dez anos atrás?…”

E em Simpsons? Que afinal é bem mais amarela que as supracitadas. Em Simpsons as amostras também são fartas.
Não me perguntem os episódios, que essa série é muito longa… mas vou comentando as cenas, conforme me recordo: o Moe resolve transformar seu bar num beco de stand-upers. Termina com Skinner fazendo seu ato, no formato e som de Seinfeld (o baixo da música tema).
No episódio em que Homer e Marge estão relembrando os velhos tempos e de como Homer decidiu trabalhar enquanto Marge estudava, Homer está na frente da TV assistindo a… Seinfeld!! (supostamente a memória se passa no início dos anos 90, e Homer acaba se tornando um famoso roqueiro grunge).
Ainda hoje (17/02) teve um episódio se referindo a Elaine, mas não estava vendo e me escapou a referência.

Scrubs. Série que ainda não encontrei ninguém pra conversar, e que vocês deveriam dar mais atenção, numa das fantasias do Zach Braff (o personagem dele é um médico nerd que a todo tempo foge da situação real e mostra sua versão absurda, mas nem tanto, do fato), ele se transforma num stand-uper num cenário e ao som de… Seinfeld!!!

Quanto a participações diretas: Mad About You foi ao ar em período concomitante, e há uma cena em que o casal principal está pelas ruas de Nova Iorque e encontram… Jerry Seinfeld!! E ainda teve um episódio em que o Kramer faz um Cross Over!!

Com fama, dinheiro e influência já consolidadas, na também ótima série de Tina Fey, 30 Rock (que acabou de acabar e eu ainda não vi a última temporada, então não me contem), no primeiro episódio da segunda temporada, quem é o convidado especial interpretando ele mesmo e falando de seu novo filme (Bee Movie)? Jerry Seinfeld! Esse episódio merece mais detalhes, porque ele evoca toda a memória afetiva conquistada em Seinfeld, e é absolutamente incorreto: o personagem de Alec Baldwin tenta inclusive matar Jerry. Não bastasse, Tina Fey imita Jerry descaradamente enquanto “chora” (ele não sabe gritar. Nem atuar. E mesmo assim é ótimo). 30 Rock trata da própria NBC, canal que revelou a série e tornou Jerry milionário e famoso. Nessas tantas, Keneth, o mensageiro fanático por TV (ele acredita que a TV é a genuína arte americana), encontra Jerry no elevador. Como não consegue se comunicar ao ver o ídolo a seu lado apenas faz o som do baixo. Jerry olha e solta um “Really???”. (Vocês eu não sei, mas eu estou rindo só de lembrar!)
Na quinta temporada de 30 Rock eles fazem um especial ao vivo no formato de sitcom (a série é filmada em câmera única. Basicamente: originariamente é sem aquelas risadas). Nesse episódio, eles incluíram flashbacks de situações. E no flashback das memórias de Liz Lemon (Tina Fey), quem é a atriz? Julia Louie-Dreyfus, a Elaine. A observação de Jack (Alec Baldwin) pra isso: “Interessante Lemon, como você é mais bonita em suas memórias” e ela: “Minhas memórias tem dinheiro de Seinfeld”.
E pelo visto as minhas também…

Cansaram?
Eu não.
Em Arrested Development, série precocemente cancelada pela Fox e agora reiniciada (ineditamente) pelo Netflix, a qual os senhores também deveriam dar mais atenção, porque é absolutamente hilária (como dito em American Dad “é como Arrested Development… não é que seja ruim, é que a America não deu muita importância”), o patriarca dos Bluth (a família em crise em questão) está sendo acusado de trair a nação tendo projetado casas para Sadam Hussein, cuja imagem de ambos se cumprimentando é veiculada pela imprensa. Quando o filho certinho vai questionar o pai sobre isso, o pai diz “Foi um equívoco… achei que era o Soup Nazi… até disse que era um grande fã…”

Atentem-se: isso é o que lembro por agora, estou recorrendo à minha memória para elencar as situações. Obviamente as referências estão em todos os cantos.

Como em Curb Your Enthusiasm (HBO).
Mas isso é assunto pra uma nova sessão seriada de textos. Porque só então vou enfim falar de Larry David. L.D., pros íntimos.

Seinfeld Reunion

Seinfeld Reunion

Seinfeld: A Melhor Série de Todos os Tempos. Parte II: Revolução Copernicana Na TV.

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II.
A realização copernicana que atribuo a Seinfeld é simples e já foi genericamente contemplada em nossa conversa anterior: Seinfeld é sobre tudo. Senão vejamos.
Enquanto as demais séries concomitantemente ou previamente veiculadas tinham um público alvo determinado (Arnold, que tratou de questões sociais e raciais importantes à época [e teve seu elenco, na vida aqui fora, dizimado pelo show-business sem suporte]; ou Boy Meets World, que tratava da descoberta da maturidade na adolescência, cujo foco era justamente essa faixa etária, por exemplo), Seinfeld veio mostrar os draminhas da classe média por volta dos 30 e poucos. Ali tudo era possível, porque era sobre existir, trabalhar, namorar, conversar com os pais…
Te parece familiar, fã de Friends? Pois acredite: Friends só pôde ser o que ainda é graças a Seinfeld. Provarei melhor adiante.
Adiante. Não agora.
Agora ainda é Seinfeld.
A regra básica seguida pelos roteiristas de Seinfeld era “no hugging, no learning”. Ou seja: sem abraços, sem aprendizado. No decorrer da série, as oportunidades de abraços entre o grupo são absolutamente desprezadas.
Nas nove temporadas, as personagens não evoluem em caráter. Inclusive, pioram. Com o passar dos anos eles vão se tornando cada vez mais cri-cris em relação às pessoas, cultivando inimizades cômicas por onde passam. Os desvios de condutas sociais deles normalmente ocorrem ou por tentar ajudar os amigos (Jerry), ou por simples e pura mesquinhez (George), ou por defender alguma ideia, por mais supérflua que ela seja (Elaine) ou por inocência parasitária (Kramer).

Já no episódio piloto, os três personagens masculinos nos são apresentados.
A postura boêmia e surreal de Kramer já se demonstra, entrando no apartamento do vizinho sem aviso para conversar e assaltar a geladeira.
O melhor amigo sem expectativas, George, com quem os diálogos são travados na maior parte do tempo – posteriormente vindo a desenvolver-se também com Elaine, e por vezes ainda Kramer, que sempre revela uma sabedoria inusitada.
E Jerry.

O modelo hoje usado em Louie – stand up mais cena da sitcom – veio de Seinfeld.
No piloto, o drama é receber uma mulher, por quem Jerry se sente atraído, e ela não deixa claro quais são suas intenções no pernoite: se afinal se trata de um encontro ou um mero favor.
Assim, “estudam” os sinais.

E assim, temos nove fascinantes temporadas.
Elaine é apresentada como ex-namorada de Jerry, e no decorrer da série eles têm algumas recaídas.
Por mim daria detalhes e mais detalhes sobre cada episódio da série, não só pra mostrar como eu lembro e conheço e como se eu utilizasse minha memória para coisas úteis eu dominaria o mundo, mas é não quero cansá-los nem tirar a curiosidade em (re)descobrir a série.

A genialidade de Seinfeld está no humor. Da forma como ele é feito.
Quem nunca se viu diante de uma mãe coruja que insiste em dizer que o filho é lindo, mas a criança é horrenda? (“Jerry, Elaine! You have to see the baby!”)
Quem nunca teve vontade de falar umas boas verdades para o chefe? (Quando George estava em seu oposto e foi contratado pelo NY Yankees.)
Quem nunca só ficou interessado por determinada pessoa quando viu o interesse que o amigo demonstra? (A moça por quem Kramer se apaixona e está com Jerry, que não a queria e só passou a “vê-la” quando Kramer a “viu”.)
Quem nunca queimou o chalé dos sogros com charuto cubano?
Quem nunca terminou com alguém por causa de motivos aparentemente superficiais? (mãos masculinas, comer uma ervilha de cada vez, usar sempre a mesma roupa, ser contra o aborto, não apreciar seu trabalho, ser extremamente parecido consigo, ou com seu melhor amigo…)
Quem nunca se perdeu num estacionamento de shopping ou estacionou na vaga de deficiente achando que não ia dar nada e deu?
Quem nunca tentou converter um rapaz gay perfeito?
Quem nunca teve medo de ser confundido com o que não se é, unicamente pelos estigmas?
Quem nunca foi pelo menos um pouco ou um muito de cada um dos quatro? Acreditem, todos fomos. Todos somos.

As histórias se conectam, por vezes entre temporadas, e calham por se explicar. Estão sempre atentos aos pequenos perrengues cotidianos, e conseguem manter o roteiro de forma espiral.
(Em todas as conexões e menções que vi em Seinfeld consegui apurar um único erro: creio que na primeira ou segunda temporada, George e Elaine estão voltando de um Flea Market (mercado das pulgas), quando George, recém adquirido um chapéu de Indiana Jones, diz a Elaine, que está no carro com ele, que ele é um “quiter”, um cara que desiste de tudo, que ele vem de gerações de desistentes: seu pai é um, seu avô era um, e seu IRMÃO é um. Só que George é filho único. Do mais, não há erros sequenciais. Não que me recorde.)

O formato estrutural de roteiro e de como os assuntos são abordados em Seinfeld foi originário, e um sucesso, e possibilitou muitos outros sucessos. Não há que se discutir.

Além de momentos icônicos e já clássicos na “literatura” televisiva. Como no episódio The Chinese Restaurant, em que os personagens ficam durante todo o programa aguardando por uma mesa; ou em The Contest, em que os quatro apostam se abster dos “pecados da carne” e todo o episódio gira em função disso. O ponto a se dar atenção é que não falam sequer uma vez a palavra “masturbação”(!); ou no episódio que acontece de trás pra frente, se referindo a uma viagem à Índia, e encaixam os fatos com detalhes absurdos; The Soup Nazi; Babu, um estrangeiro tentando ganhar a vida na Big Apple; “Hello Newman”; os pais de Jerry, absolutamente judeus, e os ainda mais dramáticos e italianos pais de George, que instituem o Festivus; Bob Sacamano, o amigo de Kramer que é reiteradamente citado mas não faz qualquer aparição durante toda a série; o quadro de Kramer; quando Kramer decide ser ator e ir pra LA; o episódio do Cadillac, degringolado do episódio “The Pen”; ou quando resolvem montar a série dentro da série, e produzir um “show about nothing”, que quando é assim justificado para o presidente da NBC, que pergunta “mas por quê as pessoas assistiriam a isso?” e George “Porque está na TV!” e o executivo “Não ainda (not yet)”; ou as pequenas aparições de Larry David durante a série (spoiler: ele é a voz do filme que Jerry adormece vendo e não se recorda da piada, é o misterioso homem da capa, é quem faz a voz do Sr. Steinbrenner, dono dos Yankees, é o caixa que dá o troco para George quando ele se veste em prol de um antigo cinema…) … … e obviamente, os personagens menores da série, como os pais dos personagens que comentei acima, Newman, os chefes de Elaine, os sogros de George, Rusty (o cavalo), Uncle Leo, os namorados de Elaine, as namoradas de Jerry, Crazy Joe Davola, o dono de restaurante que peca pela higiene… AS PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS!! Marisa Tomei (como ela mesma – hoje pode não parecer um grande nome, mas ela tinha acabado de ganhar um Oscar, era a sensação do momento), Bette Midler (também como ela mesma), não se importando nem um pouco em ser chata… E as sugestões: Woody Allen (These pretzels are making me thirsty), Spielberg (The Schindler’s List). Joe DiMaggio… e o ódio declarado de Elaine por “O Paciente Inglês”…

E assim vai. E eu iria… é que não quero parecer uma dessas fanáticas soltas por aí que só sabem falar de Seinfeld…

No próximo texto, falarei pra vocês sobre como Seinfeld está presente nas séries que vimos, que vemos, e até em filmes. E que sua presença quando não é indireta, é direta: sendo citado. Simples assim.

Os quatro são fabulosos.
Mas ainda nem comecei a falar do mais fabuloso de todos: Larry David.
Aguardem.

Seinfeld: Porque é, afinal, a melhor série de todos os tempos (!) (?)

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A cultura pop, sobretudo com o advento da banda-larga, invadiu todos os espaços. Não é nenhuma novidade essa frase. Desde a Pop-Art sessentista de Warhol, temos o pop como tema, enquanto cultura de massa e em locais antes reservados a pequenas elites abastadas, tal qual museus.

Assim, quando digo que invadiu “todos os espaços”, me refiro também a nossa vida. Minha, tua e de todo mundo. Ao cotidiano de todo mundo. No Brasil, percebemos isso nas novelas, porém são influências, grosso-modo, “datadas” (sério, não dá pra sair com um terceiro olho na testa e se sentir na moda, porque a novela da vez não é mais indiana. E o bordão “me serve, vadia” já desandou e perdeu a eficácia de impacto).

Sem querer valorar ou analisar o assunto sobre aspectos acadêmicos (até porque nada que eu diga será inédito a um leitor de Umberto Eco, ou até mesmo relevante em se tratando de seus estudos e análises sobre o tema da cultura de massa, assim não me arrisco a aventurar-me superficialmente e pecar por besteira), quero me referir e me ater a minha percepção pessoal (evidentemente, influenciada e contaminada pelas leituras e óbvia influência, perceptível a qualquer um que já tenha conversado comigo por mais de dez minutos sem me mandar ficar quieta).

Sem mais delongas: vim falar de Seinfeld.

I.

Seinfeld foi uma série televisiva transmitida pela NBC (TV aberta americana) entre os anos de 1989 a 1998. Seu núcleo principal consistiu em tratar da vida do comediante Jerry Seinfeld, com seus fictícios (porém baseados em pessoas reais) amigos tipicamente nova-iorquinos: o antissocial George (baseado em Larry), a feminista Elaine e o vizinho surreal Kramer (baseado num vizinho que Larry teve). Os quatro fabulosos de Nova Iorque.

A série cômica tem dois pais: o próprio Jerry Seinfeld e o brilhante Larry David. Quando a NBC propôs a Jerry que produzisse um piloto, o mesmo convidou seu amigo Larry David para ajudar a escrever. Mais tarde, Jerry veio a declarar que 80% de Seinfeld é Larry David (facilmente perceptível pelo tanto que o personagem de George cresceu). Ambos estavam numa vida pré-série semelhante: comediantes stand-upers que ganhavam miseravelmente a vida em bares de comédia típicos (e que hoje invadem o Brasil com muita força, principalmente na capital paulista), fazendo observações sobre a vida, a existência o universo e tudo o mais.

Importante que se diga que o gênero Stand-up já não era recente (Woody Allen começou assim, à guisa de exemplo histórico), porém passava por um declínio, cujo humor estava já em campos duvidosos, desprestigiado e segmentado (negros em seus guetos, judeus em seus guetos, e uma apelação às piadas fáceis por todos os grupos de maiorias – qualquer semelhança com o cenário nacional atual talvez não seja mera coincidência, visto que o comportamento humano segue uma tendência a se repetir pelo caminho mais simples). Jerry Seinfeld e Larry David, acompanhados por outros nomes hoje também reconhecidos, como Chris Rock (sabe “Todo Mundo Odeia o Chris”? Pois é. Esse mesmo Chris), traziam novas esperanças ao cenário.

O humor de Jerry era “refinado”, por assim dizer. Observações amenas sobre situações cotidianas, revelando o absurdo que é viver e os absurdos do dia-a-dia e comportamentos humanos rotineiros, em situações como pegar um vôo e ir à lavanderia. Relacionamentos e interpretações de sinais do/a parceiro/a. Tal qual essas conversas que temos com nossos amigos em bar – ao menos eu com os meus -, só que filtrados pelo seu ponto de vista.

À exceção de Saturday Night Life (SNL) – um caso inédito de sucesso até hoje no ar pela mesma NBC de Seinfeld – andava bem difícil emplacar comédias por aqueles tempos (nos EUA. Monty Python (Inglaterra), por exemplo, com seu humor non-sense e sagaz e fleumático já havia “imediatamente” [a série foi ao ar entre 1969 e 1974] influenciado roteiristas brasileiros [TV Pirata – 88 a 92, e posteriormente Casseta & Planeta], um delay escusável visto a repressão militar tupiniquim e a ausência de internet).

Mas voltando a Seinfeld. A série, autodeclarada “sobre nada” (“a show about nothing”) revela-se até hoje como uma série, de fato, sobre tudo. Absolutamente atemporal – com exceção das roupas.

Além de divisor de águas sobre como fazer humor na TV americana, é influência direta e indireta ainda em – pelo menos no meu ponto de vista – todos os melhores programas de humor voltado às massas (TV).

Se você já viu algum episódio da série, certamente identificou-se em alguma situação. Se você, como eu, a viu do piloto ao finale, tornou-se amigo íntimo do fab-four, já tendo vivido muitas daquelas situações.

É sim, um show sobre tudo. Sobre todas nossas pequenas dúvidas e dramas expondo na nossa cara nossas hipocrisias e idiossincrasias, vividas nas situações dos personagens principais.

[Se você acha que esse texto acaba aqui, engana-se. Não passei tanto tempo vendo TV na vida pra escrever só duas laudas.]

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To be continued.

Opinião do Dia: Imprensa Brasileira

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Estou com a Marilena Chauí quando prefere não se manifestar sobre a imprensa brasileira, por vergonha.
Obama é reeleito, e na cerimônia de posse é dedicado bons minutos falando, em tom bem humorado, leve e positivo, como ele e Michele são maravilhosos, e como em seu discurso ele defendeu a igualdade, e a necessidade de se garantir aos homossexuais os mesmos direitos civis que os dos héteros.
Lindo. Aplausos.

Aqui, se Dilma fizesse o mesmo, além de chacotas envolvendo sua própria sexualidade, nossa imprensa exploraria o caso polemizando e incentivando preconceitos e opiniões tacanhas, só pra ter uns acessos a mais em suas páginas, logo vender mais publicidade.

Quem perde é o país.

O mesmo país que acredita que ser crítico é criticar.
E que criticar é pôr a culpa no governo, que político é tudo igual e que está tudo sempre uma merda.

 

Nota de Felicidade Bloguística

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Queridos, longe de mim querer me sentir feliz por coisa pouca, mas é que é o caso, e pra mim nem é tão coisa pouca assim: uma tirinha minha foi aparecer num blog desse universo paralelo chamado internet. Não é nenhum desses blockbusters virtuais, mas fiquei tão contente que dei até um printscreen na tela (yayyyyy!!!!!).

Eu sei que é jacu. Mas felicidade é uma coisa jacu. É tipo amor: jacu. E piegas.

citação em outro blog

Manifesto Feminino (Feminino. Diferente de “Feminista”)

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Observei que meus últimos textos têm um teor forte de “feminismo”. Achei bom. E ruim.

Como já devo ter dito por aqui, qualquer “ismo” me provoca qualquer coisa de dúvida com conteúdo obviamente tendencioso, facilmente explicado pelo ismo, que pode te vincular a questões e comprometimentos que nem sempre são coerentes, de acordo com tantas linhas possíveis de pensamento e fundamentações.

Inegável admitir que as redes sociais hoje estão muito (até demais) presentes em nossa vida, e na minha não é diverso, desde os tempos de Orkut. Misturado com aquele monte de entulho cotidiano – animaizinhos mortos, fotos de comida, de pés feios na piscina, e comentários sobre o tempo – também encontramos ativistas de todos os gêneros e causas, inclusive as auto intituladas feministas.

Creio ser muito digno lutar pelos direitos das mulheres, considerando suas diferenças anatômicas e sócio-culturais, aí presente a forma de educação que recebemos, inegavelmente diferente. Desde tenra idade somos vestidas com vestidos cor-de-rosa, ganhamos bonecas e apetrechos historicamente classificados como femininos, nos incentivam a sermos vaidosas, zelarmos pelo formato do corpo muito mais do que da saúde, etc etc. Não consigo, sinceramente, mensurar até que ponto isso é ou pode estar errado. Tais procedimentos porventura podem nos influenciar a sermos mais afetivas e zelosas pela figura humana, a sonhar com o príncipe encantado e a querer um casamento feliz, etc, mas ainda assim, não creio que seja exclusividade destes fatores uma possível atribuição de “culpa” por nossos anseios adultos, já então como mulheres.

Creio também que seja não apenas digno, mas também legítimo, lutarmos por respeito e igualdade, lutarmos para que sejamos consideradas mais do que corpos quando passamos pela rua ou em qualquer outro ambiente.

Desde que estudei a “igualdade” nas primeiras semanas da faculdade (na década passada), a mim ficou bastante claro que a igualdade almejada não basta ser formal. Não basta haver uma declaração de que os gêneros são iguais se o tratamento não for. Também não basta pleitear pela igualdade em determinadas situações em que atributos físicos e sociais beneficiem o gênero masculino (a estrutura anatômica do corpo feminino é diversa do masculino, grosso modo).

Assim, diante desta nova modalidade de contemplação mundana, reiteradamente me peguei discordando das observações dessas mulheres.

Exemplificativamente: a dona da página feminista em questão reclamou que um rapaz a paquerou, e este rapaz estava acompanhado. Não penso que seja necessariamente um sujeito machista. A mim é só um imbecil que não respeita sua companheira. Nada dá a ele o direito de flertar com outras mulheres, mas nada também o tira desse direito, salvo uma reflexão moral sobre seu ato.

Minha preocupação no “movimento” é sobre respeito e tolerância. Que deve ser atribuído a qualquer ser-humano.

Quero poder andar na rua sem temer ser estuprada.

Quero poder abrir uma revista feminina e ler algo mais do que “como agradar seu homem” ou “como perder 10 quilos em uma semana pra ser um sucesso no verão”.

Kantianamente falando, tento reger meus atos de uma forma adequada à moralidade, no sentido de frequentemente me questionar se minha ação pode ser universal. Agindo conforme este imperativo categórico, com minhas ações pautadas pelo dever racional, estaria então limitando eventual desejo instintivo, porém agindo em conformidade da razão. Assim, racionalmente, me proponho a analisar porque afinal é um grande problema agradar “meu homem”, ou ser “um sucesso no verão”.

Não sei o que Simone de Beauvoir quis dizer com tornar-se mulher em sua icônica frase “não se nasce mulher, torna-se uma”, ou algo que o valha. O que li dela foram alguns poucos trechos de um ou outro ensaio, quando ainda estava na faculdade (que sinceramente já nem recordo do que se tratava) e qualquer breve relato sobre sua vida e obra.

Simone tinha comportamento livre. Era uma mente brilhante e além de seu tempo, sem sombra de dúvidas, independente do teor de suas linhas. Teve oportunidades, e soube aproveitá-las. É parte incontestável no movimento existencialista – e também feminista -, e sua fecunda amizade com Sartre gerou obras, pensamentos e boatos. (Nada como a fofoca pra tornar a filosofia mais instigante a mentes fugidias como a minha…)

Também não sei se Simone concordou com Kant, muito menos se concordaria com essa minha vexatória leitura kantiana num texto pra um blog que atinge pouquíssimas pessoas. Porém, como a lei moral não é algo concreto, mas uma forma pura, é passível de aplicabilidade em qualquer situação, garantindo desta forma a sua validade universal. Portanto, válido também aqui.

 

Mas o que afinal quero dizer com todo esse discurso?

Basicamente o seguinte: que nós mulheres, queremos ser respeitadas. E a leitura de respeito não é como convém aos homens por comodismo.

Não sei as gurias que levantam a bandeira, mas eu quero ser convidada pra sair, ter a conta paga pelo rapaz e a porta do carro aberta. Obviamente que sou plenamente apta a pagar a conta ou dividi-la, e ainda mais apta a abrir portas. Mas estas atitudes ainda perpetuam em meu imaginário de gentilezas, em meu imaginário de flerte.

Quero ter a cintura abraçada e receber olhares cuidadosos e que mencionem me desejar, mas que saibam se esquivar quando receber uma negativa.

Se de fato buscar o príncipe encantado equivalha a ser como os príncipes que os contos de fada me mostraram, eles irão me amar e me respeitar e me fazer feliz pra sempre, não importa quantas bruxas, dragões, poções envenenadas, famílias e madrastas em geral tenham que enfrentar. E sério mesmo, encontrar um cara disposto a amar e respeitar e se esforçar pra te ver feliz pra sempre deveria estar na pauta do dia de toda feminista não lésbica que queira alguém pra partilhar a vida. Esses moços estão em falta no mercado desde que Walt Disney os desenhou.

Posso não ser um espírito tão livre como Simone foi, sequer devo ter uma mente metade brilhante do que a dela. Mas é possível que sua luta por liberdade implique em nossa liberdade, hoje, de escolha.

Não é errado querer casar e ter filhos. É (talvez) errado, ou limitado (essa seja talvez uma melhor palavra) ter no casamento e na maternidade sua única opção de vida, e assim então não se possibilitar a qualquer outra expectativa de felicidade ou realização humana senão diante desses acontecimentos, e sobretudo, é limitado se sujeitar aos mandos e desmandos arbitrários de um homem, unicamente porque ele possa vir a deter o status de provedor do lar, como se detivesse o corpo e a alma e o espírito da mulher, como propriedade.

Sob esse ponto de vista, talvez então eu seja mais livre que Simone. Paralelamente às minhas conquistas profissionais, admito sim buscar um companheiro. Mas que este não venha a qualquer preço, sob o peso da obrigação marital seja pela idade de meu útero ou pelas amarras sociais.

E sempre, em toda e qualquer circunstância, penso não ser somente minha luta, mas a de todos os seres-humanos, demandar respeito. Não apenas por sermos mulheres –que utilizar isso já é diferenciar dentro da suposta busca de igualdade – mas por merecermos enquanto pessoas.